Como evitar a superproteção com os pequenos?

Por Viviane Rossi
Psicóloga

Na ansiedade de poupar o possível sofrimento dos filhos, os pais os limitam em seu crescimento emocional. Temem que os erros possam custar muito caro para a vida psicológica das crianças e saem na frente de todas as situações, querendo minimizar danos e evitar frustrações.

Porém, desta forma, passam uma informação equivocada para os pequenos como se, na verdade, não confiassem em sua capacidade de lidar com as adversidades da vida, como se fossem incapazes de superar dificuldades, erros e obstáculos. A criança muito protegida cresce com a terrível sensação de impotência e de incapacidade de ser ela mesma e fazer suas próprias escolhas.

Quando a criança é estimulada a explorar o seu mundo de maneira independente, ela aprende não só com a fala dos pais, mas com as consequências de seus atos. No futuro, tenderá a ser um adulto mais consciente e dotado de mais habilidades para lidar com tantas adversidades da vida.

É claro que é muito difícil mesmo saber até onde permitir que os filhos tomem suas próprias decisões. Um sinal para isso é prestar atenção à maturidade, a qual chega em um momento para cada criança. Percebendo o que ela já é capaz de fazer sozinha é importante ir atribuindo-lhes pequenas responsabilidades e possibilidades de escolhas. Por exemplo, quando pequenas, os pais podem separar três trocas de roupas e permitir que a criança escolha a que mais lhe agradar. Observando que ela já consegue decidir com autonomia, pode-se aumentar o número de opções até chegar no armário completo, quando ela poderá escolher entre muitas opções a que mais lhe agradar. para isso, os pais também precisam diminuir suas expectativas: no início a criança pode fazer escolhas que lhes parecem equivocadas, descombinadas, inadequadas. nestes casos, os pais podem até fazer alguma sinalização disso, mas não devem impedir essas decisões.

É preciso também limites: os pais não devem, de maneira alguma, permitir escolhas para as quais os filhos não estão prontos ainda. Pode parecer exagero, mas há casos em que crianças pequenas ajudam na escolha da escola, na compra de um carro, na palavra final sobre uma viagem. São absurdos que revelam a imaturidade oposta: a dos pais!

Nas pequenas escolhas do mundo infantil, é muito saudável permitir e aceitar escolhas,a certos e erros. Frustrar-se e tentar novamente algo não gera sentimento de incapacidade – gera sentimento de superação, de autonomia e de capacidade!

Embora pequenos, os filhos precisam ser olhados como seres capazes de aprender, de escolher, de errar, de cair, machucar e se levantar depois! Pela natureza, o ser humano é assim – leva muitos tombos para conseguir andar.

Gradualmente, é saudável que os pais façam propostas com dificuldades crescentes, como se fossem desafios, acreditando que a criança será capaz de superar e enfrentar. Isso é muito importante, pois os pais não estarão constantemente ao lado dos filhos, em todas as situações. Reconhecer os pequenos avanços das crianças é tão importante quanto estimulá-las.

É fundamental orientar e deixar a criança escolher e, ao mesmo tempo, controlar a ansiedade e a expectativa paternais – aceitar que ela pode errar, aprender com esse erro e que isso não será sempre um trauma.

Depois de avisos e recomendações, orientações consecutivas sem sucesso imediato, é normal que os pais fiquem bravos e irritados com erros, sejam comportamentais (desobediência) ou escolares (nas lições e provas). É justamente aí que os pais erram também, com atitudes exageradas e generalistas, nomeando equivocadamente as situações e os erros dos filhos. Em vez de se desequilibrar e só apontar o erro da criança, é importante respirar fundo, manter a calma e ensinar a criança novamente, oferecendo alternativas saudáveis de comportamento.

Para crescer, é preciso errar tentando acertar. É extremamente importante pensar que, enquanto as crianças exploram, experimentam e descobrem, erram e acertam, novos processos neurológicos são estabelecidos, novas conexões são construídas, as quais serão utilizadas futuramente com maiores chances de sucesso.